Em 22 de outubro, a Igreja celebra a festa litúrgica de São João Paulo II, data que recorda o início de seu pontificado, em 1978. O papa polonês esteve à frente da Igreja Católica por quase 27 anos e marcou sua história pela defesa da vida, pelo amor à família, pelo diálogo e pela proximidade com os jovens. Também teve uma relação significativa com a Renovação Carismática Católica (RCC), reconhecendo a ação do Espírito Santo na vida do Movimento.
Sua história foi marcada por perdas, perseguições e desafios, mas também por uma fé que o acompanhou ao longo de toda a vida. Canonizado em 2014, São João Paulo II continua sendo uma referência para os católicos e, de modo especial, para os carismáticos, que encontram em seu testemunho um incentivo à vivência da santidade.
Origem
Karol Józef Wojtyła nasceu em 18 de maio de 1920, em Wadowice, na Polônia. Criado em uma família católica, enfrentou perdas ainda na infância. Sua mãe, Emília, morreu quando ele tinha apenas nove anos. Anos depois, perdeu o irmão mais velho, Edmund, médico que contraiu escarlatina enquanto cuidava de um paciente. Seu pai, Karol Wojtyła, foi uma presença importante em sua formação, transmitindo-lhe valores de fé e devoção a Nossa Senhora.
A juventude também foi marcada pela Segunda Guerra Mundial e pela ocupação nazista da Polônia. Nesse período, Karol precisou conciliar os estudos e o trabalho com a formação religiosa, iniciada de maneira clandestina em 1942. Foi ordenado sacerdote em 1946 e, a partir daí, dedicou sua vida ao serviço da Igreja.
Pontificado
Em 16 de outubro de 1978, Karol Wojtyła foi eleito papa, adotando o nome de João Paulo II. Foi o primeiro pontífice não italiano em mais de quatro séculos e conduziu a Igreja até sua morte, em 2 de abril de 2005.
A defesa da dignidade humana e da família esteve entre as marcas de seu pontificado. Em seus ensinamentos, destacou a importância do amor, da responsabilidade e do respeito à vida. Também desenvolveu a Teologia do Corpo, conjunto de catequeses sobre o significado do corpo humano, da sexualidade e do amor à luz do plano de Deus.
Sua devoção mariana era expressa no lema Totus tuus — “Todo teu” —, inspirado em sua consagração a Nossa Senhora. Essa confiança na intercessão da Virgem Maria ganhou ainda mais destaque após o atentado sofrido em 13 de maio de 1981, na Praça de São Pedro, do qual sobreviveu.
Ao longo de quase 27 anos de pontificado, João Paulo II publicou 14 encíclicas, instituiu as Jornadas Mundiais da Juventude e canonizou 482 santos, além de proclamar 1.338 beatos. Sua presença em diversos países também aproximou o papado de milhões de pessoas.
Mesmo com a saúde debilitada nos últimos anos de vida, em razão da doença de Parkinson e de outros problemas de saúde, continuou exercendo seu ministério. Sua morte mobilizou uma multidão em Roma. Durante as homenagens, muitos fiéis pediram sua canonização imediata, com gritos de “Santo Súbito!”, expressão italiana que significa “Santo já!”.
São João Paulo II e a Renovação Carismática Católica
A história de São João Paulo II também se entrelaça com a caminhada da Renovação Carismática Católica. O papa reconhecia a importância dos movimentos eclesiais para a renovação da fé e incentivava os fiéis a acolherem a ação do Espírito Santo, sempre em comunhão com a Igreja.
Em diferentes ocasiões, encontrou-se com representantes da RCC e manifestou apreço pela experiência de oração, pelo anúncio de Jesus e pelo testemunho de vida dos carismáticos. Para o Movimento, suas palavras e seus gestos foram sinais de acolhida e incentivo à missão.
“Vida longa aos carismáticos!”
Um dos momentos lembrados pelos membros da Renovação Carismática Católica aconteceu em 1979, durante um encontro com carismáticos na Vigília de Pentecostes. Na ocasião, João Paulo II manifestou publicamente sua proximidade com o Movimento e teria exclamado, de maneira espontânea: “Vida longa aos carismáticos!”.
A frase tornou-se uma lembrança especial para a RCC e expressa o carinho com que muitos membros do Movimento recordam o pontífice. Mais do que uma manifestação de apoio, esse vínculo reforça o chamado a viver a experiência do Espírito Santo em comunhão com toda a Igreja e a colocar os dons recebidos a serviço da evangelização.
São João Paulo II mostrou, com sua própria vida, que a santidade não está distante da realidade de cada dia. Seu testemunho continua inspirando a Igreja, especialmente os jovens e aqueles que desejam anunciar Jesus com coragem e fidelidade.
Que São João Paulo II interceda por nós e nos ajude a acolher a ação do Espírito Santo, para que também possamos crescer na santidade e servir cada vez melhor à missão da Igreja.