“Moisés e Aarão entraram na tenda de reunião e, saindo, abençoaram o povo. E a glória do Senhor apareceu a todo o povo. Saiu um fogo de diante do Senhor que devorou no altar o holocausto e as gorduras. Vendo isso, todo o povo soltou grito de júbilo e prostrou-se com a face por terra. Os filhos de Aarão, Nadab e Abiú, tomaram cada um o seu turíbulo, puseram neles fogo e incenso e ofereceram ao Senhor um fogo estranho, que não lhes tinha sido ordenado. Saiu, então, um fogo de diante do Senhor, que os devorou, e morreram na presença do Senhor.” (Lv 9,23 – 10,2).
A paz inquieta de Jesus esteja em seu coração, meu irmão e minha irmã, e a lamparina em sua mão!
Na última vez, nós refletimos um pouco sobre o “Fogo Sagrado” que ainda queima em nosso interior e que, embora algumas vezes seja criticado, se trata da vontade de Deus para mim e para você. Esta chama encontra-se em nós, afinal existe um povo sedento de Deus e que precisa ser batizado no Espírito Santo, e Deus está contando conosco para isso.
Hoje nós queremos chamar a atenção para uma grande verdade: insistir no Grupo de Oração, nosso maior tesouro, e na ação maravilhosa de Deus nele, que chamamos de Identidade, de “Fogo Sagrado”, é muito mais que uma insistência ou uma “ideia fixa”. É ter um conhecimento concreto do chamado que Deus nos fez enquanto Movimento Eclesial nestes quase 60 anos de história: levar as pessoas ao batismo no Espírito Santo para que assim se tornem discípulas de Nosso Senhor Jesus Cristo. E por que nós insistimos nesse chamado? Porque nem tudo que vemos por aí é Fogo Sagrado!
No livro de Levítico este contraste de forma muito evidente. No fim do capítulo nove nós vamos ver que quando Moisés e Aarão entraram na tenda de reunião o Senhor deu-lhes um fogo que devorou todo o sacrifício, e causou júbilo e adoração. Em seguida, no início do capítulo dez, nós vemos que Nadab e Abiú vão tomar do seu turíbulo, não do “Fogo” do Senhor, e vão apresentar um “fogo estranho”.
Esse “fogo irregular”, como fala em outras traduções, não vem do Senhor, mas vem da própria vontade, do próprio desejo, afinal a passagem vai dizer que “cada um pegou o seu turíbulo”. Nós não sabemos por que os filhos de Ararão fizeram isso: para chamar a atenção, serem reconhecidos, aplaudidos, honrados, aclamados, se destacarem, gerar “engajamento”, conseguirem “poder”, ter seguidores…, mas, independentemente das intenções, não é possível este tipo de atitude gerar louvor e adoração genuínos. Ao contrário, essa atitude sempre sobressairá uma individualidade construída e alimentada pela desobediência, pois a passagem vai dizer que “não lhes tinha sido ordenado”.
Em meio a tantas novidades, nos dias de hoje, é difícil distinguir o “Fogo Sagrado” do “fogo estranho”. Nadab e Abiú não eram pessoas de fora. Eram de dentro, herdeiros, filhos do sumo-sacerdote, chamados pelo próprio Deus a contemplá-Lo (cf. Ex 24, 9-10). Isso quer dizer que mesmo nós, batizados no Espírito Santo e propagadores do “Fogo Sagrado”, se não vigiarmos, podemos correr o risco de deixar as “nossas vontades” falarem mais alto, nos levando ao desvio e a morte, por estarmos dando lugar ao “fogo estranho” nas nossas vidas e nos nossos Grupos de Oração.
Mas então, como posso discernir isso? Como eu sei o que vem de Deus em meio a tantos “turíbulos” que temos por aí?
Pelo discernimento! Tanto o dom natural, fruto da nossa experiência e inteligência, quanto, e principalmente, pelo Discernimento dos Espíritos. Este carisma nos auxilia em tantos momentos, irmãos! Muitas vezes, aquilo que parece bom, capaz até de encher espaços e satisfazer nossos desejos humanos, acaba não sendo o que Deus nos chama e convida. Paulo mesmo (cf. At 16,16), enquanto uma mulher os seguia falando que ele e Silas eram servos de Deus, viu que ela “tinha o espírito de Pitão” e o expulsou. Precisamos deste dom efuso para saber o que realmente é sagrado no nosso meio!
Outro santo critério para saber se algo é “estranho” são os frutos!
Conforme o texto bíblico, o “estranho” vem de nós mesmos. O “Fogo Sagrado” vem de Deus. O que é irregular gera morte e constrangimento, não vida e louvor. Se nós seguirmos a passagem (Lv 10, 3) vamos ver quando Aarão calou-se, pois contemplou a morte dos seus filhos por terem desobedecido a Deus.
Enquanto o “Fogo Sagrado” vem da oração, de “entrar na tenda”, focando totalmente no Senhor, o outro, o “fogo estranho”, vem da desobediência, do que é carnal, daquilo que é conveniente, e que muitas vezes nós vemos por aí nas técnicas de manipulação que, no final, acabam apenas exaltando a pessoa, não conduzindo os irmãos a Deus, a conversão sincera e a perseverança.
No fim, irmãos, aquilo que é “estranho”, gera apenas dependência. Isso é um grande risco! Irmos aos irmãos cheios apenas de nós mesmos, e lhes ofertar apenas o que temos! Isto não gera lideranças, não gera santos, não dá fruto. É analisando os frutos que podemos discernir o que realmente é sagrado em meio a tantas opções atualmente.
O Senhor quer nos dar o Seu coração, para sermos movidos sempre por Ele! Quer nos enviar, não sozinhos, mas caminhando com Ele. Por isso, nós precisamos sempre obedecer a Deus, fazer o que Ele nos ordena! Sejamos os propagadores da chama, do verdadeiro “Fogo Sagrado”, não do “fogo estranho”, mas verdadeiros propagadores da chama por toda a Igreja!
É tempo de correr, meu irmão e minha irmã, e levar ao mundo inteiro este “Fogo Sagrado”!
E qual “fogo” estamos ofertando aos filhos de Deus?
Klaus Newman
Propagador do Fogo Sagrado
Grupo de Oração Ágape