Há 15 anos, um sonho discernido em oração pelo Conselho Nacional da RCCBRASIL começou a tomar forma concreta: a criação de uma escola capaz de formar líderes e missionários com maturidade eclesial, fidelidade ao carisma e profundo amor à Igreja. Hoje, a Escola Nacional de Líderes e Formadores (ENFLM) celebra sua história como um dos mais importantes marcos formativos do Movimento Eclesial da Renovação Carismática Católica no Brasil, reunindo gerações de servos que, ao longo do tempo, foram preparados para servir com consciência, unidade e espírito missionário.

Fruto da obediência às moções do Espírito Santo e do esforço coletivo da liderança nacional, a ENFLM nasceu como resposta ao apelo da Igreja por uma Nova Evangelização e por uma Renovação Carismática cada vez mais madura, conforme indicado no Documento de Aparecida e nos apelos do Papa São João Paulo II. Ao celebrar seus 15 anos, a Escola revela uma trajetória marcada por fidelidade, crescimento e esperança.

Uma escola que amadurece

O período de consolidação da ENFLM é resultado da gestão de lideranças que ajudaram a estruturar e expandir a proposta formativa da Escola. O pioneirismo na ENFLM se deu por meio da gestão de Lucimar Maziero, primeira diretora da Escola, atuando entre os anos de 2010 e 2015. Lucimar participou da escola do então ICCRS em Roma e assim organizou a estrutura da escola no Brasil.

Em seguida, Vicente Gomes de Souza Neto assumiu a direção. Ele recorda que a Escola já trazia a inspiração das Escolas Formativas vividas em Roma, mas precisava ser adequada à realidade brasileira. “Nós tínhamos uma escola intensa, de dez dias, com forte base doutrinal, espiritual e missionária, mas o desafio era garantir continuidade e acesso, considerando os custos e as distâncias do nosso país”, explica Vicente. Foi nesse contexto que surgiram as escolas regionais, realizadas em estados como Pará, Mato Grosso e Alagoas, ampliando o alcance formativo da ENFLM e fortalecendo a missão nas Igrejas locais.

Durante esse período, a Escola aprofundou sua identidade carismática e católica, mantendo como critério essencial a vivência nos Grupos de Oração e o envio das lideranças por suas instâncias locais.

“A ENFLM sempre foi pensada para formar líderes da Renovação, com espiritualidade carismática, fidelidade à doutrina da Igreja e forte vivência fraterna”.

Vicente Gomes de Souza Neto

Para Vicente, o grande legado desses anos é a consolidação da Escola como espaço de formação integral. “Além da doutrina, da teologia católica, nós temos também a vida comunitária que é muito forte, a vida fraterna. Então isso forma lideranças para conviverem, não sendo só uma formação intelectual, mas humana e relacional. Isso é sinal de que a Escola amadureceu.”

Uma escola que responde ao presente

Nos últimos 6 anos, entre 2020 e 2025, a Escola esteve sob a direção de Frater Lucas Evangelista, Sjs. Neste tempo a ENFLM viveu uma verdadeira renovação estrutural, em busca de oferecer uma resposta concreta às demandas atuais do Movimento. Ao assumir a missão, uma das prioridades foi reestruturar a terceira etapa da Escola, projetando-a como um tempo intenso de formação humana e liderança. “Nosso esforço foi manter o projeto original da Escola, sem perder a identidade, mas respondendo às necessidades do tempo presente. Primeira etapa e segunda etapa mantém os padrões originais, mas a terceira etapa foi reorganizada”, explica Frater Lucas.

Outro avanço significativo foi a ampliação da equipe formativa, garantindo acompanhamento pedagógico e espiritual mais próximo aos alunos. “Hoje conseguimos ter membros da equipe atuando diretamente nas salas, acompanhando cada turma. Isso fortalece a formação e o cuidado com quem passa pela Escola”, ressalta.

Para o Frater, a ENFLM cumpre sua missão ao atuar como braço formativo do Conselho Nacional da RCCBRASIL. “A Escola escuta as moções do Conselho, escuta as necessidades apresentadas pelos estados e aplica isso na formação. Ou seja, das bases para os estados, dos estados para o Conselho Nacional e, assim, Deus dá uma estratégia, dá um direcionamento e isso nós aplicamos na escola”. Segundo Lucas, tudo isso está alinhado com o objetivo de formar líderes mais maduros e coerentes com a Igreja.

“Nosso foco é a maturidade eclesial: formar líderes capazes de servir com unidade, identidade e obediência à Igreja.”

Frater Lucas Evangelista, Sjs

Ao completar 15 anos, Frater Lucas avalia que a maturidade da ENFLM está justamente na fidelidade à sua origem e na abertura constante ao Espírito Santo. “A Escola se mantém fiel ao ponto de partida, mas nunca fechada às novidades de Deus. Isso é maturidade.”

Uma escola que se projeta para o futuro

Olhando para os próximos anos, a ENFLM se prepara para um novo tempo sob a direção de Leandro Rabello, que reassumirá a missão a partir de 2026. Para ele, voltar à direção da Escola é, antes de tudo, um chamado ao serviço. “Deus sempre conta com servos insuficientes, mas de coração aberto. Reassumir a direção da Escola é retomar uma missão confiada por Ele”, afirma. Leandro destaca que o grande desafio da formação de líderes está em ajudar cada servo a compreender que a verdadeira liderança é aquela guiada pelo Espírito Santo. 

“O principal desafio da formação dos líderes no Brasil é fazer com que os líderes não olhem somente para si, para sua vontade, para o seu conhecimento, mas fazer com que eles olhem principalmente para o Senhor e busquem no Senhor no ato de liderar”.

Leandro Rabello

Para o futuro, os sonhos são grandes. Embora alguns projetos ainda estejam em discernimento, Leandro assegura que novidades importantes estão por vir. “Posso afirmar que vem coisa nova, muito boa e impactante. É tempo de rezar e aguardar.”

Na perspectiva eclesial, ele reforça que a ENFLM continuará respondendo aos apelos da Igreja por uma liderança missionária, sinodal e madura. “Todo batizado é chamado à missão. A Escola forma líderes que sabem escutar, servir e apontar para Cristo, que é o verdadeiro Líder.”

Ao celebrar os 15 anos da ENFLM, consolida-se a certeza de que formar líderes não é preparar cargos, mas corações disponíveis ao serviço. “Nossa preocupação na escola não é formar coordenadores, não é formar pessoas que vão assumir cargos, mas formar pessoas que, caso venham a assumir um cargo de liderança, o façam no Senhor, entendendo, conhecendo a Igreja, conhecendo o Movimento, conhecendo a realidade missionária, com espírito de serviço. Nossa maior autoridade é o serviço”, conclui Leandro.