A espera faz parte da vida humana e está presente na própria etimologia da palavra “esperança”. Contudo, ela nem sempre é algo agradável: esperar em um consultório, em uma fila ou em qualquer situação de necessidade tende a frustrar o ser humano. Mesmo quando se espera algo bom, uma certa ansiedade nasce no coração — como acontece com a expectativa pelo nascimento de uma criança.
O tempo do Advento é o período da espera cristã pelo Salvador que há de nascer da Virgem Maria.
O ser humano é marcado pela linguagem simbólica; somos formados por símbolos que nos colocam em relação com o Mistério, especialmente o Mistério de Deus que se faz carne. “A Palavra se fez carne e habitou entre nós” (Cf. Jo 1,14). O número quatro é um símbolo da limitação da vida humana, e uma dessas limitações é o tempo. A preparação para a vinda do Senhor é simbolizada pelas quatro semanas do Advento, das quais surge a Coroa do Advento com suas quatro velas. A luz vai penetrando progressivamente a existência humana, luz que simboliza o próprio Cristo (Cf. Jo 8,12).
A Coroa do Advento surgiu no final do século XIX, no âmbito da Igreja Luterana na Alemanha, e foi adotada pela Igreja Católica na década de 1920. Trata-se de uma coroa de ramos verdes, na qual se colocam quatro velas e quatro laços, normalmente de cor vermelha.
O que representam as velas, as cores e os ramos
O número quatro representa a vida humana em sua limitação — a vida na qual o Salvador entra. As quatro velas, acesas progressivamente, indicam a luz que vai penetrando o tempo; é a divindade que assume a humanidade para salvá-la. O costume de acender velas progressivamente está ligado ao lucernário, prática já presente no Judaísmo, sobretudo na festa de Hanukkah. O rito central de Hanukkah consiste no acendimento diário das velas da chanukiá (candelabro especial de nove braços) ao longo dos oito dias da festa, simbolizando o milagre do azeite que queimou por oito dias no Templo, embora houvesse azeite suficiente apenas para um.
A luz que dissipa as trevas assume um significado particular em países como a Alemanha, onde o inverno é rigoroso e as noites são longas. Igualmente, em um ambiente onde a neve domina e muitas plantas perdem suas folhas, os ramos verdes — perenes e resistentes — tornam-se símbolo da vida que vence a morte. Assim como na árvore de Natal, o verde representa a vitalidade; o vermelho, tanto na Coroa quanto na árvore, simboliza os frutos que despontam mesmo em meio ao inverno, como o azevinho. Do mesmo modo, o verde na liturgia remete ao alvorecer: o sol que, ao nascer, revela a vida reverdecente dos campos.
Além de ser utilizada nos templos, a Coroa do Advento pode ser usada nas casas. As famílias são verdadeiras “Igrejas domésticas”. Há o antigo costume das novenas de Natal, e nada melhor que unir o acendimento das velas, a cada semana do Advento, à oração da novena. Tal como Hanukkah é uma festa profundamente familiar, o Natal também o é: celebra-se a Sagrada Família. A luz do Natal, introduzida pela Coroa, pode penetrar o lar como Igreja doméstica, iluminando a convivência familiar.
Há também um princípio evangelizador na Coroa do Advento. Em nossa cultura, o Natal costuma ser destacado pelo consumo e pelas comemorações, mas sua preparação e seu verdadeiro espírito nem sempre são compreendidos. A Coroa recorda que o Messias que veio também virá, e que devemos preparar-nos para a sua vinda. Ela chama o ser humano à oração e a uma piedade natalina autêntica.
Por fim, há um apelo missionário na Coroa do Advento. Se Cristo é a luz que penetra o mundo para conduzi-lo à plena comunhão com a Trindade, o cristão é chamado a ser “sal da terra e luz do mundo” (Cf. Mt 5,13-16). Ele é enviado a iluminar as realidades terrestres e, pelo testemunho e pela oração, manifestar que Deus amou tanto o mundo que enviou seu Filho — não para condená-lo, mas para conduzi-lo à comunhão plena com a Santíssima Trindade. O Natal é a festa da salvação, e a Coroa nos recorda essa verdade.
Peçamos a Deus que os símbolos do Advento e do Natal sejam compreendidos, valorizados e nos conduzam a uma piedade verdadeiramente natalina.
Que a esperança seja derramada em nossos corações (Cf. Rm 5,5).
Padre Micael de Moraes, Sjs
Pároco da Paróquia Nossa Senhora de Pentecostes
e São Francisco de Assis