“Agora, pois, Senhor, olhai para as suas ameaças e concedei aos vossos servos que com todo o desassombro anunciem a vossa palavra. Estendei a vossa mão para que se realizem curas, milagres e prodígios pelo nome de Jesus, vosso santo servo! Mal acabavam de rezar, tremeu o lugar onde estavam reunidos. E todos ficaram cheios do Espírito Santo e anunciaram com intrepidez a Palavra de Deus.” (At 4,29-31)
A paz de Jesus, irmãos e irmãs batizados no Espírito Santo! Que essa graça continue mudando a nossa vida cada dia mais!
O Senhor nos deu um grande trabalho: lançar “fogo sobre a terra”, propagando este “Fogo Sagrado” aonde formos! Mas é importante sabermos que não se trata de uma missão fácil. Talvez, pela nossa experiência e conhecimentos adquiridos ao longo da caminhada, possamos achar que “levar as pessoas ao batismo no Espírito Santo” seja algo simples, podendo ser feito sem dificuldades e resistências. Nos enganamos se pensarmos assim.
Podemos perceber isso claramente em Atos dos Apóstolos. Pedro e João haviam sido presos e, em sua defesa, Pedro faz a maravilhosa pregação onde afirma que “em nenhum outro há salvação” (At 4,12a). Um anúncio tão cheio da presença de Deus que os Apóstolos foram colocados em liberdade. Como vimos na passagem, imediatamente após saírem da prisão, eles vão encontrar a comunidade, os demais Apóstolos, para testemunhar e… orar!
Quando estamos na caminhada e servindo a Deus, queremos ser ainda mais cheios do Espírito Santo! Mais e mais transbordantes. E Deus tem as suas dinâmicas e pedagogias. Lógico que não quero ter a presunção de “explicar Deus”, mas podemos analisar como as coisas acontecem na natureza. Olhando, por exemplo, uma roseira, aonde o agricultor vem e poda-a quase que totalmente, deixando apenas o caule central e algum tempo depois ela floresce novamente, dando mais rosas ainda. Ou uma videira, onde o agricultor realiza a poda, o que vai determinar se nascerão frutos maiores ou mais doces. Tudo que precisa “crescer” passará pela poda, passará pela provação.
Aqui cabe uma reflexão que nos leva a analisar nossas ações. Talvez, quando passamos por perseguições e críticas, seja por um irmão de Movimento ou do Grupo de Oração, ou de outra expressão ou pastoral, nossa primeira reação seja murmurar, reclamar e, se nos colocarmos em oração, será para pedir a intervenção de Deus. Talvez até peçamos Ele faça “descer fogo do céu” sobre os nossos perseguidores. Mas essa não foi a atitude dos Apóstolos. Eles pediram que Deus “olhasse para as ameaças” e desse-lhes a capacidade de anunciar com ainda mais intrepidez, força e ânimo a Palavra de Deus.
Que fantástico o que podemos aprender aqui: em meio aos desafios, não pararmos ou nos queixarmos, mas pedir que Deus conceda mais oportunidades de anunciar, as confirmando com graças, curas e milagres. Este é um grande segredo! Quando entendemos que Deus permitirá provações para nosso crescimento e mesmo com elas seguimos firmes, guardando o “Fogo Sagrado”, a consequência é uma nova efusão, que faz novo, de novo, o que já foi novo.
Mas é possível ter uma “nova efusão” do Espírito? Claro que sim! Orígenes, no século III, diz que “é preciso renovar a própria novidade”. Com isso podemos perceber claramente que não há limites a esta graça, que é o eixo central de nossa Identidade. Podemos pedir a cada dia, a cada momento, a cada perseguição, a cada luta. E Ele vem! Quanto mais pedimos, se for para glorificar a Jesus, Ele virá! Tanto sobre os que ainda não viveram esta experiência e sobre aqueles que já a viveram, como diz Santo Agostinho: “o Espírito Santo é derramado para aquele que não tem, de maneira que possa ter, e continua a ser derramado na vida daqueles que têm, de maneira que possam ter ainda mais”.
Por isso, não importam as situações, as lutas, as dores, as provações… Podemos sempre clamar mais e mais deste “Fogo Sagrado” e seguirmos em frente, anunciando e sendo canais a ação de Deus a quem encontrarmos pela frente!
E se clamarmos, independente do que aconteça, ficaremos “ainda mais” cheios do Espírito, para propagar esta graça com intrepidez!
Klaus Newman
Grupo de Oração Ágape
Desejoso de ser “ainda mais” cheio do Espírito Santo!