A Sagrada Escritura, tanto no Antigo quanto no Novo Testamento, tem muitas citações sobre os anciãos, enfatizando o respeito que se deve aos mesmos e a dignidade que seus cabelos brancos e sua experiência de vida lhes confere.
“Levanta-te diante dos cabelos brancos; honra a pessoa do velho e teme a teu Deus. Eu sou o Senhor” (Lv 19,32).
“A sabedoria pertence aos cabelos brancos, e a longa vida confere a inteligência” (Jó 12,12).
“Quão bela é a sabedoria nas pessoas de idade avançada, e a inteligência com a prudência nas pessoas honradas! A experiência consumada é a coroa dos anciãos; o temor de Deus é a sua glória (Eclo 25,7-8).
“… vós outros que sois mais jovens, sede submissos aos anciãos” (1 Pe 5,5).
Se Deus, através da sua Palavra nos ensina a honrar os anciãos, devemos nos perguntar se estamos realmente obedecendo.
Na sociedade atual, existe uma mentalidade que mede o valor humano apenas pela produtividade e utilidade econômica, levando as pessoas idosas que não estão mais trabalhando e produzindo a se sentirem desprezadas e desvalorizadas. Além disso, a pressa, a urgência que caracteriza o mundo contemporâneo deixando as pessoas sempre muito ocupadas, colabora para que os idosos se sintam abandonados por sua família que não dedica um pouco de seu tempo para estar com eles. A velhice vem, ainda, acompanhada de debilidade física, de mais propensão às doenças, de lembranças dolorosas pelas perdas sofridas ao longo da vida, de saudade dos tempos em que eram valorizados e sua vida era povoada de pessoas. Muitas vezes, a isso se somam desafios econômicos em virtude dos cuidados com a saúde que são mais exigentes nesta fase da vida. Mas estes desafios não são nada comparados com o fato de muitos idosos se sentirem descartados, incapacitados de sonhar, de fazer planos, porque lhes parece que no futuro que os espera, neste contexto de abandono, não há lugar para sonhos. No entanto, a profecia de Joel, citada por Pedro no dia de Pentecostes para exemplificar o que o Espírito Santo faz na vida das pessoas, diz: “Naquele dia acontecerá que derramarei o meu Espírito sobre todo ser vivo: vossos filhos e vossas filhas profetizarão; vossos anciãos terão sonhos, e vossos jovens terão visões” (Jl 3,1).
O Grupo de Oração é lugar do batismo no Espírito Santo! Se nos nossos Grupos de Oração todas as pessoas, homens e mulheres, jovens e anciãos, forem batizados no Espírito Santo, sua dignidade será resgatada e os anciãos poderão sonhar, fazer planos e sentirão brotar em si uma vida nova, novo vigor e alento pela presença do Espírito derramado em seus corações.
A sociedade sente-se no direito de desvalorizar o idoso, as famílias de abandoná-lo, mas no Grupo de Oração, lugar de pessoas batizadas no Espírito Santo e, portanto, portadoras do amor de Deus que foi derramado em seus corações, não deve ser assim. O Grupo de Oração é o lugar da caridade fraterna, onde os mais humildes, os mais sofridos, os mais abandonados são os mais merecedores de cuidado.
Na Bíblia, a pessoa idosa é valorizada como pilar de sabedoria, guardiã das tradições, e testemunha viva da fidelidade de Deus. Ao invés de ser deixada de lado, ela é honrada. Assim deve ser também nos nossos Grupos de Oração.
São João Paulo II, em 1999 escreveu a Carta aos Idosos, na qual ele sublinha a necessidade de reconhecer o valor e a dignidade dos anciãos. Diz ele:
Há uma necessidade urgente de recuperar uma perspectiva correta sobre a vida como um todo. A perspectiva correta é a da eternidade, para a qual a vida em cada fase é uma preparação significativa. A velhice também tem um papel próprio a desempenhar neste processo de amadurecimento gradual no caminho para a eternidade. E este processo de amadurecimento não pode deixar de beneficiar a sociedade em geral, da qual o idoso faz parte.
Os idosos ajudam-nos a ver os assuntos humanos com maior sabedoria, porque as vicissitudes da vida lhes trouxeram conhecimento e maturidade. Eles são os guardiões da nossa memória coletiva e, portanto, os intérpretes privilegiados desse conjunto de ideais e valores comuns que sustentam e orientam a vida em sociedade. Excluir os idosos é, em certo sentido, negar o passado, no qual o presente está firmemente enraizado, em nome de uma modernidade sem memória. Precisamente por causa de sua experiência madura, os idosos são capazes de oferecer aos jovens conselhos e orientações preciosas.
Diante disso, os sinais de fragilidade humana, claramente ligados à idade avançada, tornam-se um apelo à interdependência e à indispensável solidariedade que unem as diferentes gerações, na medida em que cada pessoa precisa das outras e se enriquece com os dons e carismas de todos (Carta de Sua Santidade o Papa João Paulo II aos Idosos, 10).
Também o Papa Francisco se pronunciou sobre a necessidade de valorizar a pessoa idosa, instituindo o Dia Mundial dos Avós e dos Idosos, celebrado anualmente no quarto domingo de julho, próximo à memória litúrgica de São Joaquim e Sant’Ana (26 de julho), os avós de Jesus. A data visa combater a cultura do descarte e promover o diálogo intergeracional. Dentre os pontos que ele destaca sendo merecedores de nossa atenção, fazendo eco às palavras de São João Paulo II, o Papa Francisco enfatiza que os anciãos são os guardiões da memória coletiva. Ele argumenta, ainda, que uma sociedade é julgada pelo modo como trata e integra os idosos na vida da comunidade. Recomenda também uma forte ligação entre as gerações, combinando a sabedoria dos idosos com a energia e ambição dos jovens, e diz que os idosos têm uma missão espiritual, isto é, a sabedoria acumulada durante a vida passa a ser um modelo de oração, de esperança e de resiliência para o restante da comunidade.
Que, nos nossos Grupos de Oração, possamos seguir as recomendações da Palavra de Deus e da Igreja na fala de nossos Papas, encontrando modos de integrar, valorizar e cuidar das pessoas idosas que o Senhor envia a nós. Se elas vêm ao Grupo de Oração, passam a ser de nossa responsabilidade. Que ao sermos julgados pelo modo como as tratamos, possamos receber a aprovação de nosso Deus e da nossa Igreja e que todos reconheçam que o Grupo de Oração é lugar de resgatar a dignidade dos anciãos!