“Porque, a quem muito se deu, muito se exigirá. Quanto mais se confiar a alguém, dele mais se há de exigir. Eu vim lançar fogo à terra, e que tenho eu a desejar se ele já está aceso?” (Lc 12, 48b-49)
A paz de Jesus, propagadores do “Fogo Sagrado” por toda a Igreja! Deus os conduza cada vez mais!
Este ano, com a “Carta aos Carismáticos”, começamos uma caminhada juntos, proclamando que “em nenhum outro há salvação”. Somos companheiros de Jesus e podemos testemunhar isso vivendo como salvos. Em seguida, fomos exortados a conservar o “Fogo Sagrado”, que é a nossa Identidade, guardando-a como verdadeiro tesouro de Deus. E, em nossa última carta, refletimos na importância do discernimento para bem distinguir o que vem de Deus e o que é “fogo estranho”, afinal não podemos ofertar qualquer chama em nossos Grupos de Oração.
Nessa carta, nós queremos refletir no Evangelho de São Lucas, onde Jesus é claro quando nos diz que veio lançar “fogo à terra”. Aqui podemos interpretar de duas maneiras: como um fogo purificador, fruto da salvação que nos concedeu na cruz, mas também podemos compreender como o próprio Espírito Santo, o Paráclito! Ele veio incendiar o mundo! Sabemos que mudou nossa vida e tem mudado muitos em tantas oportunidades e grupos! Aqui fica o grande alerta: este fogo já está aceso?
Quando olhamos a tradução deste versículo na bíblia de Jerusalém, o texto diz que Jesus “desejaria que já estivesse aceso”. Que o “Fogo Sagrado”, que para nós é o batismo no Espírito Santo e suas consequências, já estivesse espalhado em todo mundo. Se Ele disse que deseja, significa que há lugares que ainda não foram alcançados, que este fogo ainda não está aceso. E cabe a quem este espalhar, irmãos? Cabe a nós, RCC, e aos nossos Grupos de Oração sermos estes propagadores.
Isso não é algo simples ou que possa ser feito de qualquer maneira. Ser alguém que “propaga esta chama” exige de nós algumas características que precisamos e devemos cultivar e aprofundar em toda a nossa vivência cristã. Quero aqui destacar quatro pontos para sermos verdadeiros propagadores e cumprirmos a nossa missão:
1. Carregar azeite: A lamparina tem muitas características e temos trabalhado ela ao longo deste ano. Apesar de ter fogo, que todos podem ver, serem envolvidos por sua luz e até ficarem impactados pelo calor de suas chamas, o fogo de uma lamparina pode se apagar. Nós também podemos ser assim: vivendo momentos incrivelmente ardorosos e outros em que parece que a chama já se apaga. Por isso, precisamos ser lamparinas cheias de azeite, é ele que mantém o fogo sempre aceso. Para nós, o azeite é uma autêntica vida de oração carismática. É ela a garantia de que, independentemente dos altos e baixos, dos momentos e provações que estivermos vivendo, nós continuaremos firmes. E não nos iludamos: não dá para fingir uma vida de oração. Podemos ter atitudes que aparentam, carregarmos nossa bíblia, nosso terço, cantarmos o dia todo, postarmos nas redes sociais versículos e outros…, mas uma verdadeira vida de oração é sempre perceptível!
2. Aprofundar: O Espírito Santo continua a nos impulsionar a aprofundarmos. Completaremos 60 anos de Corrente de Graça que, após o “Fim de Semana de Duquesne”, surgiu também em forma de Grupos de Oração que aconteceram nas faculdades ao redor. 60 anos de Grupos de Oração e, consequentemente, do Movimento Eclesial. Literalmente, não nascemos ontem. Temos uma grande graça de experiência, de história, de aprendizado e o Senhor tem nos amadurecido cada vez mais, enquanto homens e mulheres de Deus.
Com sabedoria e maturidade, nós sabemos quem somos, para que o Senhor nos chamou, para que nos convidou e o Espírito Santo continua nos impulsionando a aprofundar ainda mais: em quem somos, em nossa história, em nossa missão e em nossa identidade. Porém, nessa característica de aprofundar, muito cuidado com quem nós estamos ouvindo para este aprofundamento…
3. Proteger: As lamparinas atuais elas possuem uma proteção contra ações externas. Seja em vidro ou em outro material, existe essa proteção em volta da chama. A função é proteger a chama, proteger o fogo. Nesse impulso de propagar o “Fogo Sagrado”, não podemos nos descuidar de proteger aquilo que o Senhor nos confiou.
Alguns pioneiros, homens e mulheres que honramos fazendo sempre memória e louvando a Deus por sua vida, já fizeram a sua “Páscoa”. Talvez quem iniciou o seu Grupo de Oração, o Movimento em sua diocese ou estado, já não se encontre mais conosco. Sentimos por eles. Mas precisamos ser os “pioneiros” das próximas gerações, sermos os que guardam e protegem a Identidade que o próprio Senhor nos confiou.
4. Propagar: Existem muitas pessoas que ainda “não ouviram sequer que existe um Espírito Santo” (cf. At 19,2). O que preocupa não é o fato de que não conheceram a Terceira Pessoa da Santíssima Trindade, mas onde nós estamos que essas pessoas ainda não conhecem o Santo Espírito? Lembro aqui da frase de Michelle Moran, na proximidade do jubileu dos 50 anos da RCC no mundo, que nos questionou:
“Quem vocês vão levar junto com vocês para o Jubileu? Não se trata de nós juntos fazermos uma festa, mas se trata de um mundo conhecer a obra transformadora de vidas que o Espírito Santo realiza. Todos nós temos um trabalho a fazer, portanto.”
É meu irmão, é minha irmã, todos nós temos um trabalho a fazer. Somos os propagadores dos próximos 60 anos da RCC e precisamos lançar fogo sobre a terra!
É preciso levar as pessoas ao batismo no Espírito Santo!
E Deus está comigo e com você para isso!
Klaus Newman
Grupo de Oração Ágape
Pioneiro das próximas gerações da RCC