A Semana Santa é o grande momento do ano em que os católicos são convidados a renovar a fé e a vida cristã em Cristo Jesus. Costuma-se dizer que é o tempo forte da Igreja, quando realmente se intensifica toda a prática penitencial, devocional e litúrgica da nossa religião. Este é o momento de reacender a chama da fé, em que o Senhor renova em nós o ardor de vivermos como salvos.
Existe uma frase que se atribui a Santo Agostinho que diz: “Tenho medo da graça que passa e eu não percebo”. Ela se relaciona à queixa de Jesus que olha para Jerusalém e chora. O povo não aproveitou sua presença, não conheceu sua mensagem e não reconheceu o tempo em que foi visitado por Deus (cf. Lc 19, 41-44). Sempre precisaremos pedir a graça de Deus e não deixar que Seu amor demonstrado no mistério pascal passe sem que vejamos eu veja. Somos convidados a celebrar a Semana Santa com intensidade, deixando que Deus nos abra os olhos para os sinais contidos nessas celebrações.
“Se morremos com Cristo, temos fé que também viveremos com ele” (Rm 6, 8). São Paulo nos lembra que para aproveitar bem o mistério pascal é preciso seguir os passos de Cristo – morrer com Ele. De fato, o tema da adesão é muito caro para quem é batizado no Espírito Santo. Quando somos impactados pelo amor de Deus, provamos e entendemos que toda a história de Salvação se torna pessoal. A Bíblia passa a ser vista como uma carta de amor que Deus deixou para nós. Muitas vezes nos vimos como a ovelha perdida. O Senhor veio por nós, se entregou por nós. O Senhor espera de nós uma resposta e viver como antes não é mais uma opção. Sem medo de um intimismo emocional, passamos pelo processo de encontro pessoal, que nos tira do individualismo, para sermos enxertados na história do povo santo de Deus, a Igreja.
Por outro lado, é preciso conhecer a nossa fé e com que amor Deus nos amou, já que não há maior amor do que dar a vida pelos amigos (cf. Jo 15, 13). Além disso, a liturgia é uma linguagem simbólica que nos comunica o mistério de Deus, mas é preciso conhecer esse repertório para aproveitar realmente tudo o que a liturgia quer atualizar em nós.
A Semana Santa começa no Domingo de Ramos, chamado também de Domingo da Paixão do Senhor e nos conduzirá para a Páscoa de Cristo no domingo seguinte. O eixo central dessa semana está no Tríduo Pascal (quinta, sexta e sábado) em que celebramos o grande mistério, em três grandes momentos, da paixão, morte e ressurreição de Jesus. Os primeiros dias da semana dão espaço para diversas celebrações e procissões segundo o costume de cada região: Ofício de Trevas, Procissão do Encontro, Sermões e muitas outras piedades que são muito recomendadas para nos preparar para a Páscoa.
Quinta-feira Santa
Esse dia é marcado pela Missa do Crisma, que é o momento em que todos os presbíteros renovam suas promessas sacerdotais diante do bispo e este, abençoa e consagra os santos óleos a serem utilizados ao longo do ano para batizados, crismas, ordenações e unções de enfermos. Essa é a máxima expressão da unidade de cada Igreja particular (chamada diocese). Se você pode participar desse momento, vale a pena antes ler os textos que o bispo utiliza para consagrar o óleo do Crisma e perceber como a Igreja confia na ação do Espírito. À noite, a celebração da Ceia do Senhor (popularmente chamada de Missa de lava-pés) nos traz um sabor agridoce de alegria e traição, celebração e despedida, o começo de algo e fim daqueles anos de convívio. Santo Tomás de Aquino escreve um canto para o final da Missa em que se institui a eucaristia, descrevendo aquela noite derradeira: meditar o hino “Vamos todos louvar juntos – em latim, pange lingua”. Meditar o hino nos ajudará a entender o clima desta noite.
Sexta-feira Santa
Marcado pela disciplina da Igreja, do Jejum e da Abstinência, é o dia em que meditamos o sacrifício de Cristo por amor a nós. Cristo não é uma vítima de traições e tramas contra Ele, pelo contrário, se entrega por si mesmo (cf. Jo 10,18). Esse dia nos traz o momento propício para adorar a Cristo na Cruz e deixar-se ser atraído pelo Senhor elevado sobre a terra (Jo 12, 32). Medite na Repasse na Bíblia o relato da paixão antes de sair de casa, e a cada ato de Cristo, seja capaz de contemplar com alegria e exclamar com santo temor: “Foi por mim!” A celebração da Paixão do Senhor, às 15h, é um momento único de intercessão. Esse é o único dia do ano que a Igreja não celebra a Eucaristia, mas continua intercedendo para que todos sejam atraídos a Cristo e abençoados por Ele. Coloque Ponha especial atenção nas 10 intenções de oração dessa celebração e reze por cada uma delas de coração sincero.
Sábado Santo
Neste dia acontece a “Mãe” de todas as vigílias: a “Vigília Pascal”. A celebração fontal, que é marcada pelos ritos da Luz e do Batismo. A cada ano poderíamos agradecer a Deus por mais uma oportunidade de celebrar essa Vigília Pascal, já que o tesouro espiritual, teológico e litúrgico é inesgotável. Começa-se com a bênção do fogo, depois a proclamação da Páscoa – um canto com unção de júbilo que merece ser rezado durante o dia, para mostrar que aquela noite esconde o maior mistério da fé: a Ressurreição de Cristo. Na mesma celebração, a Liturgia da Palavra é celebrada com nove leituras, repassando o sentido da Páscoa em suas várias camadas históricas. O batismo nos faz descer com Cristo à mansão dos mortos e a ressuscitar para a vida nova, a Liturgia Batismal na Vigília integra os novos membros da Igreja ao mesmo tempo que renova as promessas dos que já estão inseridos. Viveremos n’Ele e por Ele. Eis o momento de renovar nossas promessas batismais e o desejo de viver como salvos.
Padre Bruno de Almeida
Coordenador do Ministério para Ministros Ordenados