






A Santa Missa do terceiro dia do Encontro Nacional de Formação (ENF) 2026 foi marcada por um forte chamado à misericórdia, à confiança em Deus e à vivência profunda da comunhão com Cristo. A celebração foi presidida por Dom Vicente, bispo auxiliar de Brasília, que conduziu os participantes a uma reflexão intensa sobre o perdão, a dignidade do outro e a missão que brota de um coração configurado ao Senhor.
Inspirado pela leitura do dia, trecho do Primeiro Livro de Samuel (1Sm 24,3-21), Dom Vicente relembrou o encontro entre Saul e Davi como uma escola espiritual para os tempos atuais. Segundo ele, “Ali tudo parecia favorecer a vingança, mas Deus mostra um caminho mais alto. Davi tinha a oportunidade de eliminar Saul, o que seria justificável. No entanto ele se recusa a tocar no ungido de Deus”.
Ao refletir sobre o gesto simbólico de Davi, que corta apenas a ponta do manto de Saul, Dom Vicente sugeriu um exame das relações humanas, onde muitas vezes também somos tentados a “cortar o manto do outro”, ferindo sua dignidade por meio de palavras, julgamentos e atitudes, mesmo quando poderíamos escolher a misericórdia. “Qualquer violência, mesmo disfarçada, qualquer ato, ainda que pequeno, fere o coração”, alertou.
O Bispo ressaltou ainda que “tirar a vida” não se restringe apenas ao ato físico, mas toda ação que prejudica a imagem do outro, que rasga, ainda que simbolicamente, um pedaço do seu manto. Nesse sentido, Dom Vicente lançou uma pergunta provocativa: “Quem é o Saul que Deus lhe pede para poupar?” Possibilitando o público presente a reconhecer as situações e pessoas diante das quais somos chamados a agir com misericórdia.
À luz do Evangelho (Mc 3,13-19), Dom Vicente destacou que quando Marcos afirma que Jesus constituiu os doze, ele não está narrando a escolha de colaboradores, mas proclamando um ato fundador, reunindo em torno de si o novo povo de Deus, não apenas para uma missão, mas também para estarem com Ele.
Nesse sentido, o Bispo faz uma comparação com a vivência do ENF, ressaltando que o Encontro se torna um “verdadeiro monte espiritual” sendo um espaço privilegiado de escuta, discernimento e intimidade com o Ressuscitado. “A partir desta comunhão, nasce a missão, não é que ela é secundária, a missão brota a partir do coração, cheio, grato, convicto, de que tem que anunciar o Senhor”, afirmou.
Ao concluir a homilia, Dom Vicente reforçou que a missão confiada pelo Senhor passa necessariamente pela misericórdia. Diante das dificuldades, conflitos e até da vontade humana de excluir ou eliminar o outro, o bispo foi enfático: “Isso não compete a você e a mim, isso é de Deus. Deixemos que Ele cuide”. Cabe aos discípulos, segundo ele, anunciar o Senhor com misericórdia, do jeito de Cristo, e não segundo critérios meramente humanos.